Ser Professora

Ser uma boa bailarina não quer dizer ser uma boa professora. Ser professora é um dom, é ser uma peça fundamental na vida das alunas. É estudar muito, mais muito mesmo, e ter o dom de ensinar. Não é fácil e nem é para qualquer pessoa. Ser professora é amar o que faz, é se dedicar, é se emocionar vendo as alunas dançando, é vibrar por cada conquista, é sorrir e chorar junto, é tocar no corações delas.

Resolvi ser professora da dança do ventre desde às minhas primeiras aulas. Como fui sempre ligada a outras danças anteriormente, essa vontade aumentou quando conheci a dança do ventre. Sabia que para isso iria precisar de muito estudo e dedicação. Além dos passos que eu aprendia em sala de aula, eu começava estudar a forma que a minha professora ensinava cada passo. Comecei a ver vídeos didáticos de outras bailarinas para ter um maior embasamento sobre cada assunto. Além disso, resolvi fazer a faculdade de Licenciatura em Educação Física para me especializar e complementar meus estudos com matérias essenciais para uma profissional da área de saúde, tais como: anatomia humana, fisiologia do exercício, cinesiologia; além de aprender a fazer meus próprios planos de aulas.

Com certeza, os anos de experiência em sala de aula irão resultar em uma grande profissional. Ao longo dos anos, fui criando minha própria metodologia de ensino, e hoje, com mais de uma década, sou muito realizada com ela, pois posso ver esse trabalho sendo refletido em minhas alunas: a compreensão dos movimentos, cada palavra de alegria ao conseguir executar os passos; isso tudo só aumenta cada vez mais a minha vontade de estudar e melhorar sempre minha didática em sala de aula. Hoje perco horas e dias planejando minhas aulas, vendo a melhor maneira para passar o conteúdo, fazendo meu cronograma, dinâmicas e assuntos do dia-a-dia para debatermos em sala de aula. Estudo sempre possibilidades diferentes no alongamento, pois acho muito importante, pois se o alongamento não estiver sendo bem executado, além de correr o risco de uma lesão muscular, os movimentos não vão fluir com tanta facilidade. Gosto de elaborar sequências, pois acho essencial para memorização e raciocínio das alunas, além do trabalho de deslocamentos e desenhos espaciais. Eu cobro muito e sou exigente, pois quero vê-las realmente crescendo e melhorando cada dia mais. Por isso não me canso de gritar: “estica esses braços!”, “contrai esse abdômen!”, “cadê a meia ponta ‘altííííssima’?”, “encaixa esse quadril!”. Para mim, bailarina tem que ter uma boa postura, por isso pego pesado. Faço-as estudarem em casa, passo dever de casa e ai de quem não faça! (rs)

Na dança do ventre, não existem muitos passos, são pouquíssimos mesmo. O que faz toda diferença e o aumento do grau de dificuldade são as junções dos passos; além, claro, da parte folclórica, ritmos, musicalidade, expressão entre muitas outras coisas. Não é de minha natureza ficar escondendo ou segurando os passos das alunas. Eu fico louca pra vê-las logo evoluindo. Procuro sempre fazer cada aula diferente. Gosto de passar cada conteúdo minuciosamente e se eu percebo que alguma aluna não consegue fazer o passo, minha cabeça já começa logo a criar uma nova forma para que eu possa ensinar e ela consiga executar o movimento proposto.

Procuro fazer com que cada aluna crie sua própria dança, seu estilo. Se encontrando, criando e sentindo cada música. Procuro dizer a elas que não existe o certo e o errado, o que vale é o nosso senso crítico para dizer se algo está feio ou bonito e assim não devemos julgar a dança de ninguém.

Minha metodologia de ensino para cada passo é baseada no que meu corpo faz. Depois de tanto tempo de dança, minha consciência corporal ficou mais apurada e é a partir dela que eu tiro minha base para passar qualquer movimento. Nela eu sei perfeitamente como funciona cada movimento, por onde ele começa, por onde ele percorre, até onde ele finaliza. Até porque é assim que eu acredito que seja mais simples e elegante a dança. Converso sempre com as alunas para pensarem na dança do ventre sempre como uma arte e não como uma dança só de sedução, pois nunca devemos desrespeitá-la. Essa dança não é da nossa cultura, por isso devemos ter respeito e procurar sempre nos informar sobre tudo dessa cultura que nos fascina tanto.

Gosto sempre de anotar tudo que aconteceu na aula de conteúdo ou fatos importantes para meu contínuo estudo didático. Isso tudo não é mais do que minha obrigação. Com o tempo também fui aprendendo a ter uma visão da relação “professora – aluna”. Hoje vejo que ser professora é como ser mãe, pois tenho que ensinar, cuidar, brincar e, ao mesmo tempo tenho que ser, em algumas situações, um pouco mais severa, “dar um puxão de orelha”, para manter a ordem em sala de aula e o respeito.  Aquele momento em sala de aula é o momento de professora X aluna, o respeito deve permanecer, isso não é porque a professora é a “sabe tudo”, e sim porque ela tem mais experiência e já passou por tudo o que as alunas estão passando, afinal antes de sermos professora fomos alunas. O que se faz fora da aula ou atividades que não têm nada a ver com a dança pode ser considerado uma amizade normal entre duas amigas. Ser professora é ser uma educadora para a vida das suas alunas. Seu papel também é formar bons cidadãos. Trabalhar nelas a humildade, o respeito ao próximo, a educação, o amor, o trabalho em grupo, entre muitos outros pontos.

Ao mesmo tempo, gosto de proteger, ensinar, saber se realmente elas estão aprendendo cada passo, se estão bem, se estão evoluindo, enfim, gosto muito de ouvir cada palavra de satisfação e a renovação que a dança fez na vida delas. Meu papel é cuidar e educar mulheres para a vida. É fazer com que elas percebam e sintam-se renovadas a cada dia, com uma autoestima lá em cima, aceitando-se como elas são e sabendo respeitar às outras pessoas. É dar a elas um sentindo de serem felizes por serem mulheres, pois nenhuma dança é mais feminina, verdadeira e encantadora que a dança do ventre.

Na minha opinião, cada aluna, antes de iniciar seus estudos na dança, deveria fazer várias aulas experimentais com diversas profissionais e aí, depois, ela iria ver com qual profissional ela iria se identificar e confiar mais para iniciar seu estudos. Isso é muito válido, mesmo sabendo que é distante da sua casa, que o horário não é dos melhores. Mesmo assim, eu recomendo fazer um esforço para permanecer com ela. Procure sempre referências para conhecer melhor a trajetória de cada professora. Veja se ela esta sempre se atualizando. A professora tem a obrigação e o dever de saber ensinar, pois ela estará mexendo com outros corpos, além de que estará envolvida na vida das suas pessoas.

Obrigada minhas alunas, pois hoje sou a professora mais feliz do mundo!!!

Pró Allana Alflen

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